Como não fazer e-mail marketing
Como já foi dito aqui, eu não escrevo apenas neste blog. Além do Blog da Energy, eu despejo minhas mal-acabadas idéias no Deitando o Gato na Grelha, um blog de cunho pessoal e intransferÃvel, que trata de receitas de churrasco e outras calóricas gulodices. Se bateu a fome e o seu interesse por e-mail marketing sumiu, sugiro que faça uma visitinha e planeje o churrasco do final de semana. Mas, se você quer ver como a utilização do e-mail marketing pode ser um tiro no pé da estratégia online de alguma empresa, fique aqui e acompanhe esta fanfarrice.
E o que o Gato na Grelha tem a ver com e-mail marketing? Simples. Com as minhas peripécias com o blog e com o sucesso que ele gerou, acabei conhecendo melhor os sites de culinária internet afora, interagindo com eles, e recebo várias newsletters de vários sites, algumas muito interessantes, e outras completamente furadas.
E esse é o caso de um famoso site que minha responsabilidade jurÃdica me obriga a apelidar de Cybercrock. O site em si é bacana e nem é dele que eu pretendo falar, mas sim da sua estratégia de envio de e-mail marketing. Essa sim, uma fanfarrice.
Fiz o meu cadastro no site e enviei a primeira receita. Como a linha editorial do Gato na Grelha foge, digamos assim, aos modelos de receitas tradicionais, minha receita não fez muito sucesso por lá e logo eu abandonei o site, deixando o cadastro ativo para qualquer acesso futuro. Com isso, dei o opt-in pra receber newsletters deles. Até aà ok, eu assino várias newsletters de cunho gastronômico, e até gosto de receber receitas e afins no meio do trabalho.
Aà começa a primeira furada: até hoje, eu recebi, segundo o Gmail, 110 mensagens da Cybercrock, e com 74 propagandas e 36 receitas. Ou seja, propaganda e mais propaganda, e pouca informação relevante.Como diria o Datena, “Na tela!”:

Esse é um print sem nenhuma alteração da minha tela de Gmail, quando se busca “Cybercrock”. Note que, só dando uma olhada rápida, já podemos encontrar erros fatais de e-mkt:
- Note que a quantidade de “Parceiro Cybercrock” é bem superior à “Boletim Cybercrock”. Ou seja, relevância não é o forte deles;
- Tem várias promoções aà no meio que poderiam ser bastante interessantes, se eu fosse mulher. Mas eu não sou, pessoal. E não me interesso pelos perfumes e afins, que deram um trabalhão pro departamento que firmou as parcerias. Não custava nada segmentar um pouquinho a sua base de dados, não?
- Note o assustador “Daniel, vai deixar passar?” que se repete frequentemente. Que subject é esse? Isso me lembra dos tenros tempos da quinta série, onde o “vai deixar passar?” era o prenúncio de quiprocó na hora da saÃda. Será que o Cybercrock tá me chamando pra briga?
- A periodicidade dos e-mails é irritante. Em 21 de agosto, recebi e-mkt 3 vezes. Sabe como é o nome disso? DesperdÃcio de recurso.
- Na tela, conta-se 20 e-mails em pouco mais de um mês. Claro que não tem consumidor que se interesse por uma comunicação assim.
A cereja do bolo é essa aqui: “Daniel, você será filmada”. Como assim, Bial? Filmada???? Não é possÃvel que o pessoal da Cybercock ache mesmo que o seu público-alvo é formado única e exclusivamente por mulheres. A cada dia, um homem se aventura nas panelas. Faça uma busca sobre “homem cozinhando” ou algo do tipo no google e note a quantidade de blogs e sites mantidos por homens que cozinham. É de uma mentalidade atrasadÃssima achar que um site de receitas vai atender apenas ao público feminino. Na tela:

 Me chamaram de mulherzinha e ainda perguntaram se vou deixar passar. Tem cabimento?
Com isso, podemos notar que o site Cybercrock e seus parceiros gastam um esforço considerável no envio de e-mail marketing, o que é, por si só, muito positivo. Mas pode não adiantar nada fazê-lo de qualquer maneira. Num caso como esses, segmentação de base de dados é mais do que necessário, é gritantemente necessário. Além disso, vai diminuir os custos de envio de e-mails, facilitar o trabalho de quem envia e adquirir relevância junto ao seu target, fundamento primordial para o sucesso de qualquer campanha de e-mail marketing.
Além disso, é sempre bom tomar certos cuidados. Vai que algum consumidor mais exaltado resolve que não vai deixar passar?


